O julgamento sobre a morte de Henry Borel voltou a dividir opiniões nesta quinta-feira (4). A decisão ocasionou na condenação do ex-vereador Jairinho a quase 44 anos de prisão, enquanto a mãe do menino, Monique Medeiros, recebeu o perdão judicial, o que gerou revolta em muita gente.
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos quatro anos, quando o menino foi levado desacordado a um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. As investigações apontaram que a criança apresentava múltiplas lesões pelo corpo, e a conclusão foi de que Henry havia sido vítima de agressões.
Em uma declaração divulgada ao portal LeoDias e compartilhada nas redes sociais, o pai de Henry disse sentir que o filho foi "morto pela terceira vez". Lutando por justiça desde oque o crime aconteceu, Leniel Borel não poupou críticas à Justiça pela decisão.
No desabafo, Leniel afirmou que a família reviveu a dor da morte de Henry ao longo dos últimos anos por causa dos adiamentos, recursos e demora até o julgamento. Segundo ele, a decisão desta semana, tomada após um julgamento de dias onde Jairinho também confessou traições a Monique, intensificou esse sofrimento.
"Mataram meu filho pela terceira vez. A primeira vez foi em 8 de março de 2021, quando Henry Borel foi brutalmente assassinado. A segunda foi quando sucessivas manobras e adiamentos fizeram com que a Justiça demorasse anos para julgar os responsáveis, obrigando uma família inteira a reviver a dor repetidas vezes. E hoje, sinto que mataram meu filho pela terceira vez", iniciou.
Leniel completou: "Recebo com profunda revolta e indignação a decisão que concedeu perdão judicial à mãe de Henry. Respeito as instituições e a Justiça, mas respeito não significa silêncio. Como pai, jamais conseguirei compreender como alguém que estava presente, acordada, no mesmo apartamento, na mesma noite, diante do mesmo contexto de violência, pode sair sem qualquer pena enquanto uma criança termina morta".
Segundo o pai de Henry Borel, o sentimento que fica após o julgamento é de preocupação, já que, segundo ele, ultrapassa os limites da história do garoto: "Ela envia uma mensagem para toda a sociedade. E a mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança?", disse.
Ainda em sua manifestação, o pai de Henry reforçou que não pretende se calar após o resultado do julgamento. Ele afirmou que continuará defendendo a memória do filho e cobrando proteção para outras crianças vítimas de violência: "Não vou me calar. Não por mim. Não por vingança. Mas por justiça".
"Por Henry. Por toda criança que sofre violência atrás de portas fechadas. Por toda criança que espera que os adultos cumpram o seu dever de proteger. Por toda criança que ainda pode ser salva. Peço que não se lembrem apenas da forma como meu filho morreu. Lembrem-se do Henry sorrindo. Do Henry brincando. Do Henry feliz. Esse é o Henry que carrego no coração todos os dias. E é por ele que continuarei lutando. Até o último dia da minha vida", encerrou.